Bÿngo Perneta.

Pela manhã um barulho de tijolos caindo. Em seguida um choro, ou melhor um berro, de dor percorria todo o quintal num desespero sem fim. Era como se alguém estivesse sendo torturado até a morte. Conheço esse choro e não é bom sinal.
Bÿngo!
Tínhamos colocado uma fileira de tijolos na escada para impedí-lo de subir atrás dos pais. Ele era pequeno e desajeitado na época (continua desajeitado hoje) e tínhamos medo de que ele caísse. Uma fileira de tijolos conteve seu ânimo por pouco tempo, então tivemos que colocar duas fileiras. Bÿngo achou que dava pra pular e um dos tijolos caiu em cima de sua pata, aí... voltamos ao primeiro parágrafo.
Tivemos que pegá-lo no colo, fazer carinho, passar sermão, contar histórias, dar beijinho pra sarar enquanto ele gemia feito gato. Tentamos imobilizar com atadura, mas logo desistimos porque em menos de uma hora ele já estava sem ela.
Na manhã seguinte ele não tinha melhorado muito, tinha parado de chorar mas ainda não conseguia colocar a pata no chão. Com os cofres vazios, tivemos que medicá-lo com metade do anti-inflamatório que o pai já havia tomado anteriormente. Deu resultado!
No segundo dia ele já estava correndo com três patas, o pernetinha. Tivemos que prendê-lo (chorava quase como se tivesse sendo torturado) ou não ficaria bom nunca com as correrias.
Lá pelo quinto dia já estava bom de novo e sem dores. Paramos a medicação.
Parecia que Bÿngo tinha aprendido a lição, mas só parecia, porque alguns dias depois, lá estava ele pulando os tijolos de novo - quebrou muuuuuiiiiiiitos, pra desespero do meu cunhado!



depois latimos.

Xitara na Blitz da Lei Seca.











Olha que danadinha, essa mãe do Bÿngo!
Enquanto marido e filho morrem de medo de entrar num carro, ela não nem aí: se abrir a porta e der um sorriso pronto, a danada não quer nem saber e vai logo entrando! Mas quem pensa que ela está de bobeira se engana, pois a danada põe o cinto e vai direitinho - a Lei Seca dos Cachorros que o diga! kkkkkk
 


  depois latimos.

Um Nome pro Bÿngo.


Bÿngo já estava com com quase três meses e ainda não tinha um nome. Chamávamos-no de  cachorro/cachorrinho e ele, claro, quase não obedecia, ia embora e nem dava atenção.
Tudo parecia que ia mudar, Bÿngo não iria mais "morrer pagão", finalmente eu tinha lhe arranjado um nome. Foi uma idéia brilhante que me ocorreu certa manhã, ele iria se chamar "Zezinho"!
Não deu certo!
Cheguei a pensar que Bÿngo tivesse algum problema de audição, pois me esguelava chamando e chamando e chamando e nada dele atender. Chegava perto chamando e ele virava o focinho, nem dava confiança. Nem precisei fazer faculdade pra saber que ele não gostara nem um pouco do nome. Voltei a deixá-lo sem nome por mais algumas semanas.
Uma manhã (e tenho que confessar que não faço idéia mesmo donde surgiu esse nome), do nada, me veio a cabeça chamá-lo de Bÿngo. Aí sim ele atendeu - e me pareceu ter sorrido.
Hoje, dez meses depois, ele continua não fazendo nada do que a gente pede, mas entende quando chamamos - até porque ele sabe muito bem quando está fazendo besteira.



depois latimos.

Um Outro Dono pro Meu Cachorro.



No dia vinte e nove de janeiro de dois mil e doze, Xitara (labradora) deu à luz a sete cachorrinhos (cinco fêmeas e dois machos), entre eles o Bÿngo.
Crisco (mistura de pastor com vira-lata), o pais dos filhotes, não podia chegar perto deles nem pra beber água, Xitara ficava furiosa e o botava pra correr.
O tempo foi passando, o apetite dos filhotes aumentando, a choradeira ficando maior e as fugas do "berço" mais frequentes. Por mais que doesse, era hora de dar os cachorrinhos.
Demorou um pouco, até porque não queríamos dá-los a quem não fosse cuidar, mas os cachorrinhos foram encontrando outros donos. Só sobraram dois, um macho e uma fêmea. Esses já passeavam pelo quintal, se sujavam todos de leite pela manhã, arrancaram a cabeça dum boneco e roubavam a ração dos pais quando uma menina apareceu e levou a fêmea.. Já tínhamos nos habituando aos dois, foi então que resolvemos ficar com o macho.
Bÿngo já estava com uns três meses quando um homem apareceu e queria porque queria levá-lo pra tomar conta de seu sítio, já que pelo tamanho das patas, deu pra notar que ele seria um cachorro grande como o pai. De imediato dissemos que não, pois já que tiramos fotos e colocamos seu nome no testamento, agora Bÿngo faz parte da família!



depois latimos.