Bÿngo Perneta.

Pela manhã um barulho de tijolos caindo. Em seguida um choro, ou melhor um berro, de dor percorria todo o quintal num desespero sem fim. Era como se alguém estivesse sendo torturado até a morte. Conheço esse choro e não é bom sinal.
Bÿngo!
Tínhamos colocado uma fileira de tijolos na escada para impedí-lo de subir atrás dos pais. Ele era pequeno e desajeitado na época (continua desajeitado hoje) e tínhamos medo de que ele caísse. Uma fileira de tijolos conteve seu ânimo por pouco tempo, então tivemos que colocar duas fileiras. Bÿngo achou que dava pra pular e um dos tijolos caiu em cima de sua pata, aí... voltamos ao primeiro parágrafo.
Tivemos que pegá-lo no colo, fazer carinho, passar sermão, contar histórias, dar beijinho pra sarar enquanto ele gemia feito gato. Tentamos imobilizar com atadura, mas logo desistimos porque em menos de uma hora ele já estava sem ela.
Na manhã seguinte ele não tinha melhorado muito, tinha parado de chorar mas ainda não conseguia colocar a pata no chão. Com os cofres vazios, tivemos que medicá-lo com metade do anti-inflamatório que o pai já havia tomado anteriormente. Deu resultado!
No segundo dia ele já estava correndo com três patas, o pernetinha. Tivemos que prendê-lo (chorava quase como se tivesse sendo torturado) ou não ficaria bom nunca com as correrias.
Lá pelo quinto dia já estava bom de novo e sem dores. Paramos a medicação.
Parecia que Bÿngo tinha aprendido a lição, mas só parecia, porque alguns dias depois, lá estava ele pulando os tijolos de novo - quebrou muuuuuiiiiiiitos, pra desespero do meu cunhado!



depois latimos.

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